por muito pouco não sou cão:
sigo pegadas de vento
e tenho a fuça entretida na noite viva dos teus pelos
vagarosamente me enredo
talvez do gato gesto que imito
e olho teu silên
cio existindo
entre os vetores confusos da pele
me lembro daquela ameixa que inaugurou em mim qualquer coisa:
de lá ela imita o existir singular de todas as demais
ameixas - acidentais
ou
necessárias
que crivam minha deriva
em uma constelação de fragmentos
sem aparente relação
mas com a paciência do musgo
perco de vista o mistério
sorvido no ventre calado
do instante jamais desen
cadeado
: ou isso
prelúdio
meu olho dança nos dentes do sol:
procuro a morte terna
nos cigarros e no amor.
caminho entre os meus próprios escombros
trago nas mãos as linhas do meu fado
- devo seguir pelos crisântemos
ou solfejar o imponderável?
o animal vespertino canta um verso branco
sua voz de sangue desliza sobre o tempo
atravessa os corpos no sonho
e no âmbar do sonho plasma o hino:
quando a poesia for possível
os homens estarão todos dormindo
pássaro e máquina maculando os lençóis da aurora
consagrarão cálculo
&
sêmen
....jamais haverá noites o bastante.
procuro a morte terna
nos cigarros e no amor.
caminho entre os meus próprios escombros
trago nas mãos as linhas do meu fado
- devo seguir pelos crisântemos
ou solfejar o imponderável?
o animal vespertino canta um verso branco
sua voz de sangue desliza sobre o tempo
atravessa os corpos no sonho
e no âmbar do sonho plasma o hino:
quando a poesia for possível
os homens estarão todos dormindo
pássaro e máquina maculando os lençóis da aurora
consagrarão cálculo
&
sêmen
....jamais haverá noites o bastante.
- ou mais uma vez é setembro
I
venho
tenho cavalos nos cabelos
atravesso a sala
você me diz cânfora
e azeite
bebo
choro
em avançado estado de alga
extraio o silêncio de cartas não escritas
e adormeço
você beija meus olhos
- pendurei meu escafandro,
diz no meu sonho
aquele que sou eu
e que se despede
II
venho
volto de um longo passeio
tenho as frontes úmidas
os olhos surrados por lírios
- me acarinha, eu digo
me dorme
cobre meus pés
pés de astronauta
de menor abandonado
tenho cinco anos, sou um menino de rua
e sonho
- ou mais uma vez é setembro
III
um ínfimo desequilíbrio
me torna impossível
por isso venho
desde meu primeiro grito
e não anseio outra coisa que teu corpo
tua lágrima
2012
venho
tenho cavalos nos cabelos
atravesso a sala
você me diz cânfora
e azeite
bebo
choro
em avançado estado de alga
extraio o silêncio de cartas não escritas
e adormeço
você beija meus olhos
- pendurei meu escafandro,
diz no meu sonho
aquele que sou eu
e que se despede
II
venho
volto de um longo passeio
tenho as frontes úmidas
os olhos surrados por lírios
- me acarinha, eu digo
me dorme
cobre meus pés
pés de astronauta
de menor abandonado
tenho cinco anos, sou um menino de rua
e sonho
- ou mais uma vez é setembro
III
um ínfimo desequilíbrio
me torna impossível
por isso venho
desde meu primeiro grito
e não anseio outra coisa que teu corpo
tua lágrima
2012
canto veloz à cidade
vos
saúdo sarjetas imundas,
que jamais me abandonaram!
máquina mordaz que nos encerra, te devolvo a indiferença
com que tu nos acalanta
em noites de pedra!
te ofereço minha bile e meu trinado escasso
e todas as noites te brindo,
relicário ignoto de ofícios batidos em papel carbono e
merda!
que jamais me abandonaram!
máquina mordaz que nos encerra, te devolvo a indiferença
com que tu nos acalanta
em noites de pedra!
te ofereço minha bile e meu trinado escasso
e todas as noites te brindo,
relicário ignoto de ofícios batidos em papel carbono e
merda!
que meu mudo esgar ecoe por tuas
artérias podres
como um pássaro decepado
para que, levantados do pó,
meus irmãos comigo dancem
até que não haja senão
como um pássaro decepado
para que, levantados do pó,
meus irmãos comigo dancem
até que não haja senão
música em todas coisas!
música em todas coisas!
música em todas coisas!
Marcadores:
cantos
azul exílio
miro
[e meus olhos são escunas
famintas de horizonte]
um onde sem nome,
lugar sem aqui
aceno de lá para mim
e me chego azulado
cá eu no cais [venta
um véu de nuvens]
tenho raízes movediças
e mãos frias. cativo
do ocaso, desenho
esta bandeira:
no arremate entre dois infinitos
o sol me devolve o riso.
famintas de horizonte]
um onde sem nome,
lugar sem aqui
aceno de lá para mim
e me chego azulado
cá eu no cais [venta
um véu de nuvens]
tenho raízes movediças
e mãos frias. cativo
do ocaso, desenho
esta bandeira:
no arremate entre dois infinitos
o sol me devolve o riso.
retrato
os dentes do vento no pescoço de helise a farpa do corpo no vento sem nome lugar resina ou foda-se fazia frio não me lembro frio é um nome oco aquilo na tua pele que te queima ou excita é uma poeira mais leve uma farpa
um fiapo
um fio
jamais estarei pronto para tua carta. ou para tua boca.
mas o mundo nos fodendo não me roubará o encanto de ver pela primeira vez as tuas tetas
tua ferida
a solidão de nos saber desencontrados como membros sem um corpo
choramos certa vez pelas pombas do terminal
sujas e mutiladas
hospedamos os fantasmas do pó
mas caídas as caras das cabeças
nos olhamos estranhados
e ainda ali estávamos
úmidos
complementares
vejo ainda:
dissolvidos no ruído como grãos
nossas mãos buscando um gesto pífio
e nossas bocas como âncoras:
sorriem!
fotograma
lá onde as formas vacilam
mal delimitados corpos
dançam a voz da matéria
quando há festa
mesmo a fuligem
cintila
mal delimitados corpos
dançam a voz da matéria
quando há festa
mesmo a fuligem
cintila
galo
quão difícil é um galo
fere a primeira estrela
tramado em sangue e nuvem
como se no fio dourado de seu grito
girasse a roda faminta dos dias.
um galo o que é
senão a linha de um embate
ou as curvas de um fado?
canto sob o sol
tento puxar os cabelos do sol
mas a palavra é mais densa que o vento
por isso meus versos caem
um
a
um
no opaco abismo
da página
vejo subirem teus ramos
no vértice da janela;
o gato não dorme:
pedra-se
pois sabe mais a pedra
do que não permanece,
e a presa
não suspeita
um predador
inerte.
Marcadores:
cantos
canto à espera do sol
te apresento meus braços.
estão atados.
piso sobre as farpas de um inverno renitente.
e espero o sol.
nada
menos.
um buraco;
uma órbita sem olho;
um crânio sem nome;
um nome sem dono;
um sorriso puxado pelas garras da terra:
vejo os cavalos,
mares de cavalos negros migram,
e uma revoada de fuligem e guardanapos velhos
borra um céu sem promessas.
setembro se foi
como a pétala de cobre que esquecemos sobre as cinzas.
ou se foi gerânio
já não é.
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